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8.4.10
Porque a crônica de hoje me encheu os olhos de lágrimas e me fez pensar na alegria de tê-lo ao meu lado...
"[...]Na enchente do Rio Doce, em fevereiro de 1979, eu morava na Ilha dos Araujos, em Governador Valadares. Tinha saído em viagem de férias e, por ingênua precaução, deixara toalhas sob a fresta das portas, para o caso de alguma enxurrada ameaçar entrar sem bater. Pois o rio entrou sem cerimônia, o nível da água atingiu 1,80m dentro de casa (apenas 30 centímetros mais baixo que o marco das portas, quem têm 2,10m). Ele lá ficou durante 11 dias.
Quando o rio baixou, retornei à cidade para o rescaldo depois do desastre. Na saída, em Belo Horizonte, meu filho Malco, então com 5 anos, entendendo que seus brinquedos estariam perdidos, pediu: “Pai, salva ao menos o Ferrovia”. Referia-se ao brinquedo da moda que ele ganhara no Natal, com centenas de pecinhas plásticas que, provavelmente, tinham descido rio abaixo. Difícil conter as lágrimas diante da pureza do pedido.
Pois a caixa do Ferrovia era de isopor, com tampa de papelão. A tampa, logicamente, desmanchou, mas a caixa boiou durante os 11 dias e restou depositada, meio emborcada, num canto de parede, com todas as pecinhas lá dentro. Sobraram poucas outras coisas na casa. Entre elas, uma garrafa de vinho do porto mergulhada na lama, bem no meio da sala. O conteúdo foi sorvido ali mesmo, dividido com o irmão Márcio que, solidário, ajudava na tentativa de resgate das sobras. Muita coisa se perdeu naquela enchente, mas, mesmo 31 anos depois, restou intacto o significado da recuperação do brinquedo e a lembrança da alegria do menino ao recebê-lo de volta".
Fefê
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